A Hungria é um dos países mais fascinantes da Europa Central — berço do Cubo de Rubik, da caneta esferográfica e da vitamina C, pátria de 13 laureados com o Nobel, sede do terceiro maior parlamento do mundo, do segundo metro mais antigo do mundo e de 118 nascentes termais. Eis os factos mais intrigantes sobre a Hungria.
- A língua húngara é única na Europa. Pertence à família urálica — não indo-europeia — os seus parentes mais próximos são o finlandês e o estónio. 15 vogais, harmonia vocálica, estrutura aglutinante. Segundo a UNESCO, uma das línguas mais difíceis do mundo a aprender.
- O Cubo de Rubik — uma invenção húngara. Ernő Rubik, escultor e arquitecto de Budapeste, inventou-o em 1974. Mais de 500 milhões de exemplares vendidos — o brinquedo mais vendido do mundo. Recorde oficial actual: 3,13 segundos (Yiheng Wang, 2023).
- 13 Nobéis de origem húngara. Por número de laureados Nobel per capita, a Hungria está entre os líderes mundiais. Os mais famosos: Albert Szent-Györgyi (Medicina 1937, vitamina C), Eugene Wigner (Física 1963), Dennis Gabor (Física 1971, holografia), Imre Kertész (Literatura 2002).
- László Bíró inventou a caneta esferográfica. Em 1938 patenteou em Budapeste a moderna caneta esferográfica. Nos países anglo-saxónicos a esferográfica é ainda chamada „biro" em sua honra. Emigrou para a Argentina, onde aperfeiçoou o produto.
- O metro de Budapeste é o segundo mais antigo do mundo. A linha M1 (Caminho de Ferro Subterrâneo do Milénio) foi inaugurada em 1896 — apenas o metro de Londres é mais antigo. Património UNESCO desde 2002. Continua a circular no trajecto original entre Vörösmarty tér e Mexikói út.
- O Parlamento de Budapeste é o terceiro maior edifício parlamentar do mundo. 268 metros de comprimento, 691 salas, 20 km de corredores, 40 kg de ouro nas decorações. Projectado por Imre Steindl, concluído em 1904. A Sagrada Coroa da Hungria está aqui em exposição desde 2000.
- Budapeste é a „cidade dos banhos". Na área urbana brotam 118 nascentes termais com 70 milhões de litros diários de água quente. 15 banhos históricos — incluindo o modernista Gellért (1918), o neo-renascentista Széchenyi (1913, o maior complexo termal da Europa) e os otomanos Rudas e Király (século XVI).
- A Puszta e os pastores de Hortobágy. O Parque Nacional de Hortobágy (UNESCO 1999) é a maior estepe continental europeia preservada. Os csikós — pastores tradicionais a cavalo — demonstram o truque de estar em pé sobre dois cavalos guiando cinco mais. O boi cinzento húngaro e a ovelha racka são raças autóctones da Hungria.
- Tokaji Aszú — „o rei dos vinhos, o vinho dos reis". Luís XIV de França deu-lhe este título no século XVII. A região vinícola de Tokaj-Hegyalja é Património UNESCO desde 2002. Uma das mais antigas regiões vinícolas do mundo — oficialmente delimitada em 1737, 200 anos antes da França.
- A páprica — a alma da cozinha húngara. Embora provenha das Américas, a páprica tornou-se o emblema da cozinha húngara. Kalocsa e Szeged são cidades produtoras de páprica de fama mundial. Goulash, pörkölt, halászlé, frango à páprica — tudo se baseia na páprica. A cozinha húngara distingue 8 graus de páprica (do doce ao picante).
- Santo Estêvão e a Coroa do Milénio. Primeiro rei húngaro, coroado no Natal do ano 1000. A Sagrada Coroa que recebeu — obra bizantina do século XI em ouro e esmalte — é uma das mais antigas coroas reais sobreviventes na Europa. Exposta no Parlamento desde 2000.
- A batalha de Mohács 1526 — a tragédia da história húngara. O exército de Luís II foi derrotado por Solimão, o Magnífico. O rei afogou-se no ribeiro Csele durante a fuga. Isto iniciou 150 anos de ocupação otomana e a divisão da Hungria em três partes.
- A revolução de 1848-1849. 15 de Março — feriado nacional. Sándor Petőfi, poeta nacional, recitou o „Canto Nacional" nas escadarias do Museu Nacional de Peste: „De pé, húngaro!" Petőfi morreu em 1849 na batalha de Segesvár aos 26 anos.
- A revolução de 1956. 23 de Outubro — uma das primeiras revoltas anticomunistas contra o domínio soviético no mundo. A multidão derrubou a estátua de bronze de Estaline (só as botas ficaram no pedestal). O primeiro-ministro Imre Nagy foi enforcado em 1958. 200 000 húngaros fugiram para Ocidente.
- István Széchenyi — „o maior húngaro". O conde István Széchenyi (1791-1860) foi a figura-chave da era de reformas húngara. Mandou construir a Ponte das Correntes (1849), a primeira ponte permanente sobre o Danúbio em Budapeste. Fundou a Academia Húngara de Ciências e introduziu a navegação a vapor no Danúbio e no Balaton.
- Ferenc Puskás — um dos maiores futebolistas de todos os tempos. Ponta-de-lança lendário da „Equipa de Ouro" (selecção húngara dos anos 1950). Marcou 84 golos em 85 jogos internacionais — um rácio ainda imbatido. No Real Madrid venceu quatro vezes a Taça dos Campeões. A FIFA baptizou o „Prémio Puskás" ao golo mais belo do ano em sua honra.
- O Balaton — o maior lago da Europa Central. 594 km², 77 km de comprimento, profundidade média de apenas 3,3 metros (por isso no Verão aquece rapidamente até 25-28°C). Conhecido como o „mar húngaro". A margem norte tem cidades históricas (Balatonfüred, Tihany, Badacsony) e vinhedos; a margem sul tem praias de areia e estâncias familiares.
- Franz Liszt — o compositor húngaro mais famoso. Nascido em 1811 em Doborján (hoje Raiding, Áustria). Criou o conceito de pianista de concerto. Entre os seus amigos estavam Wagner (que se casou com a sua filha Cosima) e Chopin. As suas „Rapsódias Húngaras" — 19 obras — moldaram a identidade musical nacional da Hungria.
- Béla Bartók e Zoltán Kodály — pais da música popular húngara. No início do século XX recolheram, com um fonógrafo, dez mil canções populares húngaras nas aldeias. Nas suas composições combinaram a música popular húngara com a música clássica moderna. Os bailados de Bartók, a suite Háry János e o Psalmus Hungaricus de Kodály são executados em todo o mundo.
- Pálinka — a aguardente nacional. Indicação Geográfica Protegida da União Europeia — apenas a Hungria e quatro estados austríacos podem produzir aguardente com o nome pálinka. As mais populares são de ameixa, damasco, cereja e pêra. Teor alcoólico 40-70%. Segundo a etiqueta, é servida antes da refeição com o brinde „egészségedre" (à tua saúde).
A Hungria — a terra dos paradoxos: um pequeno país com uma cultura gigante, um coração centro-europeu com uma língua trazida dos Urais, uma nação de laureados Nobel e crianças com Cubos de Rubik, onde uma chávena de expresso num café habsburgo encontra a cave do Tokaji Aszú.